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Timpanismo e práticas nutricionais em bovinos



Autor: Beaztriz Minozzi


O timpanismo é caracterizado pela dilatação anormal do rúmen e do retículo por retenção excessiva de gases da fermentação, podendo acarretar em um quadro de dificuldade respiratória e circulatória, com asfixia e morte do animal.


Esse distúrbio metabólico pode ser dividido em dois tipos: o simples (ou “gás livre”) e o espumoso. No timpanismo simples, o gás está presente como camada gasosa e pode ser causado tanto por produção excessiva de gás no rúmen, principalmente CO2 e metano, quanto por obstrução da cárdia e esôfago. Já no timpanismo espumoso, o gás existe como bolhas em espuma líquida que impede a passagem do gás e pode ser causada por fatores dietéticos, microbianos e animais.

O timpanismo gasoso é, geralmente, secundário à ingestão excessiva de grãos na dieta. Isso promove a produção de grandes quantidades de ácidos graxos voláteis (AGV), o que reduz o pH ruminal e facilita o desenvolvimento de bactérias produtoras de ácido lático. Esse ácido, por ser mais forte que o AGV, leva a uma diminuição cada vez maior do pH ruminal, causando à morte de grande parte dos microrganismos, além de que parte dele é absorvido, gerando acidose metabólica no ruminante.


O timpanismo espumoso pode ser a causa de morte em 1% dos bovinos confinados, sendo que estes têm maiores chances de desenvolver essa doença devido a acentuada ingestão de leguminosas frescas de alta digestibilidade sem adaptação ou ingestão de dietas ricas em grãos ou algumas forragens, por exemplo alfafa e trevo, já que ocasiona menor produção de saliva e consequentemente maior produção de espuma. O bicarbonato salivar é importante para neutralizar os ácidos ruminais e para manter o pH ruminal a níveis que não promovem a formação de uma espuma estável com base na desnaturação das proteínas solúveis.


Além disso, o excesso de concentrado (alimentos com baixo teor de fibra e alto valor energético) permite que bactérias ácido-tolerantes, como o Streptococcus bovis, se proliferem e produzam quantidades excessivas de mucopolissacarídeos, aumentando a viscosidade do fluido ruminal e estabilizando, assim, a espuma presente no timpanismo espumoso.


Dessa forma, as maneiras indicadas para se evitar essa doença são: a utilização de leguminosas com estado avançado de maturidade, aumento da proporção de fibra na forragem madura, murchamento das pastagens para corte e evitar a excessiva moagem de grãos.



FONTE:

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