Todo gato tricolor é fêmea?

Entenda como os cromossomos sexuais influenciam na pelagem dos felinos.


Você já ouviu falar que somente gatas fêmeas podem ser tricolores? Mas você sabe qual a explicação por trás disso?


Fisiologicamente, somente fêmeas podem apresentar a coloração cálico, popularmente conhecida como tricolor. Entretanto, algumas anomalias cromossômicas podem gerar machos tricolores também! Para entender melhor, continue lendo o texto a seguir:

Os gatos domésticos possuem 38 cromossomos no total:

  • 36 cromossomos autossômicos

  • 2 cromossomos sexuais, que são XY nos machos e XX nas fêmeas.

Por isso, nos felinos, a expressão da cor preta é determinada pela presença de um alelo recessivo (o), enquanto a cor laranja tem sua expressão determinada por um alelo dominante (O), ambos ligados ao cromossomo X.


Ou seja, para que um gato expresse na pelagem as cores laranja e preto simultaneamente, é necessário possuir dois cromossomos sexuais X: um ligado ao alelo recessivo e outro ao dominante (XOXo).

A cor branca, por sua vez, é determinada pelo alelo white spotting, ligado a um cromossomo autossômico, podendo estar presente nos machos e fêmeas já que não possui relação com os cromossomos sexuais.



O padrão de expressão dessas cores ao longo da pelagem depende da inativação aleatória de um dos cromossomos X e da distribuição e migração diversa dos melanócitos, células responsáveis pela pigmentação da pele.


Sendo assim, um gato macho somente irá expressar as cores laranja e preto quando sofrer de uma anomalia cromossômica, como possuir dois cromossomos X e um cromossomo Y (XXY). No entanto, essas alterações são muito raras e tendem a resultar em animais estéreis.


E aí, você já viu algum gato macho tricolor? Conta pra gente!


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Referências:

DA SILVA, Marcela Caroline Brasileiro et al. Alterações genéticas envolvidas na expressão das pelagens tortoiseshell e cálico em gatos domésticos machos: Revisão. PUBVET, v. 13, p. 158, 2019.

KAELIN, Christopher B.; BARSH, Gregory S. Genetics of pigmentation in dogs and cats. Annu. Rev. Anim. Biosci., v. 1, n. 1, p. 125-156, 2013.


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